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A teoria do vazio - kuu PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Revista terceira Civilização 427   

Teoria do vazio - kuu“Esta grande história de mistério ainda não foi desvendada. Não podemos sequer afirmar que tenha uma resposta definitiva”, disse Einstein referindo-se aos infindáveis mistérios do Universo. Um desses enigmas a ser decifrado é o do vácuo ou nada. Ele existe ou não? É cheio de matéria ou é totalmente vazio? Esta é uma questão de grande importância a qual a física moderna tem se devotado e que o budismo esclarece por meio do conceito de kuu.

O budismo considera todas as coisas como fenômenos. E nenhum fenômeno possui natureza imutável ou independente. É isso o que expressa o conceito de kuu (shunya ou shunyata, em sânscrito), comumente traduzido como vácuo, vazio, não-substancialidade, latência ou nada. Porém, nenhuma dessas traduções é satisfatória. Alguns estudiosos ocidentais do budismo deram ao termo uma outra versão: relatividade. Porém, na obra Vida — Um Enigma, uma Jóia Preciosa, Daisaku Ikeda observa que essa tradução “tende a associá-lo à ciência dos físicos e, conseqüentemente, ao mundo material”.

 

O conceito budista de kuu está associado a um outro chamado de origem dependente, isto é, de que todos os fenômenos ou entidades ocorrem somente por meio do relacionamento com outros e, conseqüentemente, não possuem uma natureza isolada nem existem por si só. Portanto, a verdadeira natureza de todos os fenômenos é a da não-substancialidade e, estes, não podem ser definidos somente sob a ótica dos conceitos de existência e inexistência. Nagarjuna, um erudito do Budismo Mahayana e um dos principais discípulos sucessores de Sakyamuni, explanou este conceito da não-substancialidade como sendo o do Caminho do Meio, mostrando os extremos que representam as categorias de existência e de não-existência. Vejamos como exemplo o sentimento humano. O sentimento certamente existe na vida das pessoas. Entretanto, enquanto dormem, ele parece não mais existir. Mas, ao acordarem, imediatamente ele se manifesta. Assim, torna-se difícil defini-lo como existência e como inexistência. Embora sua existência pareça ser inegável, no momento seguinte ele desaparece, e vice-versa. Qual seria então a verdade sobre este fenômeno: existência ou não-existência? O conceito de kuu se aplica exatamente a estas situações em que a análise da existência e da não-existência não leva a uma conclusão.

 

Em “Sobre atingir o estado de Buda nesta existência”, Nitiren Daishonin afirma: “Qual é então o significado de myo? Myo é simplesmente a misteriosa natureza de nossa vida a cada instante, que a mente não consegue compreender e que não pode ser expressa em palavras. Quando observamos nossa própria mente em qualquer momento, não percebemos a cor nem a forma para comprovar sua existência. No entanto, não podemos dizer que ela não existe pelo fato de incessantes pensamentos nos ocorrer. A mente não pode ser considerada como algo existente nem inexistente. A vida é de fato uma realidade que transcende tanto as palavras como os conceitos de existência e inexistência. Ela não é nem existência nem inexistência, no entanto, mostra características de ambas. É a entidade mística do Caminho do Meio, ou seja, a realidade fundamental. Myo é o nome dado à natureza mística da vida, e ho, a suas manifestações.”

 

O objetivo prático que está por trás desta idéia da não-substancialidade é a da eliminação dos apegos a fenômenos transitórios e ao próprio ego, isto é, a percepção de ser uma identidade independente e imutável.

 

O princípio de três percepções da verdade, ou simplesmente três verdades (santai), ajuda na compreensão do conceito de kuu. De acordo com este princípio, a realidade última de todo e qualquer fenômeno é formada pelas três percepções da verdade: a verdade da não-substancialidade (kuu-tai), a verdade da existência temporária (ke-tai) e a verdade do caminho do meio (tyu-tai). A verdade da não-substancialidade significa que nenhum fenômeno possui uma existência por si só; sua verdadeira natureza é a da não-substancialidade e não pode ser definida somente em termos de existência ou de não-existência. A verdade da existência temporária significa que todos os fenômenos, apesar da não-substancialidade, possuem uma realidade temporária que está em constante mutação. A verdade do caminho do meio significa que a verdadeira natureza de todos os fenômenos não é nem a da não-substancialidade nem a da realidade temporária, pois ambas se manifestam sempre. Portanto, o caminho do meio é a essência de tudo contida tanto no seu estado manifesto como latente.

 

Fazendo um comparativo com o corpo humano, da mesma forma que ocorre no macrocosmo, as pessoas também não percebem, mas a cada instante, nascem e morrem várias e várias células sadias ou destrutivas. Não se pode dizer que um indivívuo não tem células destrutivas, pois o câncer pode se manifestar repentinamente, assim como doenças inéditas podem se desenvolver de uma forma jamais imaginada por ele. Do mesmo modo, existem tipos de vírus que a cada dia, surpreendem a todos dificultando encontrar soluções a curto prazo, por ter sua origem desconhecida. Enfim, não se sabe de toda potencialidade existente em todo Universo, porque a cada instante pode-se conhecer novas galáxias, planetas, estrelas, cada qual com seu despertar natural, que é essa vida e morte ininterrupta e dinâmica. Um entendimento mais completo sobre o conceito de kuu dificilmente poderá ser realizado somente por estudos científicos. Por outro lado a ciência vem se aproximando do conceito que o budismo chama de kuu, de que a vida é eterna, ela sempre existiu e existirá.

 

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Previsao:

A teoria do vazio - kuu
Sáb, 08 de novembro de 2008



 

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"Medito constantemente: Como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?"

Sakyamuni

"Sofra o que tiver que sofrer, desfrute o que tiver de ser desfrutado, considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida, e continue orando o NAM-MYOHO-RENGUE-KYO, não obstante o que aconteça."

Nitiren Daishonin

 

"A grandiosa Revolução Humana de uma única pessoa irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade"

Sensei Daisaku Ikeda