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Nove consciências - A natureza mística da mente PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Jornal Brasil Seikyo e Revista Terceira Civilização 467   

Nove consciênciasO budismo identifica nove funções espirituais de percepção: as nove consciências. Os cinco primeiros tipos de consciência têm alguma relação com os fenômenos físicos. São as percepções sensoriais dos órgãos dos sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato. Em geral, para ativar esses sentidos é preciso algum estímulo material. Por exemplo, a fragrância de uma flor só é perceptível a quem cheirá-la e o sabor de uma fruta apenas é compreendido por alguém que a tenha provado.

A sexta consciência é o poder de um julgamento a partir da integração dos cinco sentidos ou cinco consciências. Por exemplo, ao encontrar um objeto bonito, mas de péssimo odor, pode-se rejeitá-lo. Todos os seres vivos dotados de um sistema nervoso central, independentemente do grau de desenvolvimento desse sistema, possuem a sexta consciência.

A sétima consciência representa o poder do pensamento. É a capacidade de julgar não somente com base na percepção dos cinco sentidos e de sua relação, mas à luz de experiências passadas, de circunstâncias externas, da razão, do que se conhece de fato como consciência. Esta é uma característica exclusiva dos seres humanos, que têm a capacidade de raciocínio e reflexão.

A oitava consciência é conhecida como um repositório ou o inconsciente, revelado por Freud. O inconsciente guarda as impressões da mente e, simultaneamente, produz novas ações mentais. É neste nível da consciência que está depositado o carma, ou seja, todas as ações da vida em sua plenitude, ultrapassando os limites temporais e da lembrança consciente, sob influência da lei de causa e efeito.

A nona consciência é o nível mais profundo da vida e é considerada imaculada ou livre de todas as impurezas que o indivíduo possa guardar em seu inconsciente ou oitava consciência como resultado de suas ações no passado. Quando a pessoa supera as limitações do carma, do julgamento baseada apenas na razão ou na consciência, da apreciação resultante da relação entre os cinco sentidos ou da própria parcialidade restrita de cada órgão sensorial, ela descobre e compreende o ilimitado potencial de sua vida, percebendo o poder oculto na nona consciência.

A forma como a pessoa lida com sua mente se reflete exatamente em seu corpo, em sua percepção sobre as circunstâncias a seu redor e em suas atitudes e postura diante de situações favoráveis ou adversas. Se um indivíduo, com carma de doença, deixar-se dominar pela mente, considerando apenas as limitações impostas pela oitava consciência – o repositório do carma –, não terá forças para lutar contra a enfermidade e reduzirá as chances de uma melhora ou cura.

Na verdade, a chave é ultrapassar os níveis limitados das primeiras oito consciências e ter convicção no poder ilimitado oculto na nona consciência. Nitiren Daishonin elucidou que a nona consciência é o “eu” essencial, que existe em todas as pessoas. Nesse nível profundo da vida encontra-se o estado de Buda, que se estende do infinito passado ao infinito futuro, e é a verdadeira entidade de todos os seres.

 

As nove consciências e os dez fatores


Um dos estudiosos mais famosos a empregar os métodos da ciência natural para explorar o subconsciente foi Sigmund Freud. Suas contribuições e a de seus colegas à humanidade, na segunda metade do século XIX, são inegáveis. Mas, em tempos antigos, estudiosos budistas já mergulhavam nas profundezas da psique humana nas camadas mais profundas da consciência. Em Escolha a Vida, o autor Daisaku Ikeda comenta a esse respeito: “Dois notáveis pensadores da escola Vijnanavada de filosofia da Índia, Asanga e Vasubandhu (ambos do século IV da era cristã), adicionaram novos conceitos aos então conhecidos seis sentidos. Os tradicionais seis eram a visão, a audição, o olfato, o paladar, o tato e um sexto sentido que controlava e unificava as funções dos outros cinco. Os conceitos adicionais propostos por esses grandes pensadores foram a faculdade de raciocinar em pensamentos profundos (manas-vijnana) e uma faculdade de introvisão mais profunda da natureza da vida (alaya-vijnana). O sétimo sentido, a faculdade da razão, envolve especulação profunda. O Eu de Descartes — ‘Eu penso, logo existo’— encarta-se nessa categoria. Os filósofos ocidentais seguiram até esse ponto. Vasubandhu, porém, adiantou-se para descobrir o oitavo sentido, mediante o qual ele pôde ver mais profundamente e sem ilusões a natureza da vida humana. Chi-i [Tient’ai] da China (século VI da era cristã), ao ampliar o pensamento de Vasubandhu, postulou um nono sentido (amala-vijnana), que chega à entidade espiritual última, ativadora de todas as demais operações psicológicas”.4

Conforme pode-se observar, o budismo identifica nove funções espirituais de percepção. Os cinco primeiros tipos de consciência são percepções sensoriais obtidas pelos órgãos dos sentidos: olhos, ouvidos, nariz, língua e pele. Referem-se, portanto, ao que se denomina “cinco sentidos”. Da sexta à nona consciência, estão compreendidas as funções perceptivas da mente humana.

A sexta consciência tem o poder de integrar os cinco sentidos e fazer um julgamento.

A sétima consciência é denominada consciência mano, em sânscrito, e representa o poder do pensamento. Em vez de fazer julgamentos sobre as coisas percebidas pelos cinco sentidos, procura encontrar ordem e leis dentro delas, à luz de experiências passadas e de circunstâncias externas. A consciência mano é característica exclusiva dos seres humanos, isto é, aqueles que possuem a razão.

A oitava consciência é chamada alaya (repositório). É o inconsciente revelado por Sigmund Freud por meio de análises dos sonhos. Esse repositório arquiva as impressões recebidas pela mente e, simultaneamente, produz ações mentais. Portanto, todas as ações da vida, que ocorrem sob a lei da causalidade, surgem dos domínios da oitava consciência, o repositório cármico.

A nona consciência é chamada amala. Embora a oitava abrigue causas boas e más, a nona, que se encontra no nível mais profundo da vida humana, é livre de todas as impurezas que o indivíduo possa trazer como resultado de suas ações e de vidas passadas.

O objetivo da prática budista é possibilitar às pessoas manifestarem o imenso potencial da nona consciência, o estado de Buda. Quando a natureza de Buda predomina, as demais oito consciências são expressas no mesmo nível elevado que a caracteriza. Dessa forma, por pior que seja o carma de uma pessoa, este pode ser transformado, uma vez que é formado por pensamentos, palavras e ações.

Muitos não atribuem ao pensamento tanta importância quanto dão às palavras e às ações na formação do carma. É um grande erro que cometem. Sob o ponto de vista do budismo, não há como “falar ou agir sem pensar”. Portanto, é fundamental que o indivíduo avalie os pensamentos ou as intenções que abrigam em sua mente, ou seja, que observe sua mente.

Em seu escrito “O objeto de devoção para a observação da mente”, Nitiren Daishonin diz: “Observar a mente significa concentrar a atenção na própria mente e perceber que ela contém os Dez Estados [Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranqüilidade, Alegria, Erudição, Absorção, Bodhisattva e Buda]. Esse é o significado de observar a mente. Por exemplo, embora enxerguemos os seis órgãos dos sentidos nas outras pessoas, não conseguimos ver os nossos próprios. Somente quando olhamos em um espelho limpo é que conseguimos ver, pela primeira vez, que possuímos todos os seis órgãos dos sentidos”.

Nesta frase, Daishonin esclarece a forma para elevar a condição de vida das pessoas: a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo ao Gohonzon, o objeto de devoção da prática budista, o espelho da vida humana.

 

Ser o mestre da própria mente

Na explanação do escrito “Sobre atingir o estado de Buda nesta existência”, Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional, destaca: “Myoho-rengue-kyo é a Lei inerente à vida. A transformação contínua de nosso coração e nossa mente que se produz com a recitação do Daimoku resulta não só na mudança interior profunda como também na transformação de todo o nosso modo de vida, colocando-nos na rota para atingirmos o estado de Buda nesta existência, e gera um grande movimento em direção ao Kossen-rufu, ou seja, a transformação de toda a humanidade. A força dinâmica da mudança, em todos os níveis, é Myoho-rengue-kyo. (...) Pelo fato de a mente ou o coração ser a chave para atingir o estado de Buda nesta existência, não devemos ser derrotados por nossa fraqueza intrínseca. Esse é o propósito da prática budista. A mente das pessoas comuns, sujeita à ilusão, oscila a todo momento. Por isso, não devemos deixar que essa mente instável seja nosso guia ou mestre.

“Daishonin ressalta esse ponto nesta famosa passagem: ‘Torne-se mestre de sua mente, em vez de permitir que ela o domine’. (...)

“Para nos tornar mestres de nossa mente, precisamos ter uma excelente bússola na vida e um brilhante farol na fé. Não podemos nos permitir governar pela natureza inconstante, fraca e mutável da mente sujeita a ilusões de uma pessoa comum. Para sermos mestres de nossa mente, devemos conduzi-la na direção correta. Dessa forma, o verdadeiro mestre da mente é a Lei e os ensinos do Buda”.6

Com a realização da prática budista, a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo, as pessoas sentem brotar em seu ser a natureza de Buda, gerando uma profunda transformação interior. Elas podem, dessa forma, dar plena ação aos seus aspectos físico e espiritual como manifestações da Lei Mística.

 

Leia também: Doenças da mente e o Budismo

 

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"Medito constantemente: Como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?"

Sakyamuni

"Sofra o que tiver que sofrer, desfrute o que tiver de ser desfrutado, considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida, e continue orando o NAM-MYOHO-RENGUE-KYO, não obstante o que aconteça."

Nitiren Daishonin

 

"A grandiosa Revolução Humana de uma única pessoa irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade"

Sensei Daisaku Ikeda