• Increase font size
  • Decrease font size
  • Default font size

Escolha sua palavra chave


Em busca do Caminho do Meio PDF Imprimir E-mail
Avaliação do Usuário: / 0
PiorMelhor 
Escrito por Revista Terceira Civilização   

Caminho do meioCaminho do Meio é um conceito budista que implica em uma abordagem equilibrada da vida e no controle dos impulsos e do comportamento das pessoas.

Embora a palavra “meio” denote moderação, o termo Caminho do Meio não deve ser interpretado como uma atitude passiva, comodista e relapsa.

Em um sentido mais amplo, Caminho do Meio refere-se à visão correta da vida ensinada pelo Buda, e às ações ou atitudes que geram felicidade para si próprio e para os outros. Por essa razão, o budismo é também referido como “Caminho do Meio”, indicando uma transcendência e conciliação dos extremos de visões opostas.

Esse conceito é exemplificado pela própria vida de Sakyamuni. Nascido como um príncipe, Sakyamuni desfrutou uma vida de conforto e prazer. Porém, não satisfeito com isso, deixou o palácio em que vivia em busca da verdade sobre a natureza da vida. Ele iniciou a prática ascética, privando-se de alimento e sono e quase chegou a sofrer um colapso. Percebendo a futilidade desse caminho, iniciou a prática da meditação fortemente determinado a compreender a verdade da existência humana. Foi então que Sakyamuni despertou para a verdadeira natureza da vida, ou seja, para a eternidade, para a fonte de vitalidade e sabedoria ilimitadas.

Mais tarde, para conduzir seus seguidores a esse Caminho do Meio, Sakyamuni ensinou sobre o Caminho Óctuplo, que consiste de oito princípios pelos quais a pessoa pode controlar seu comportamento e desenvolver o autoconhecimento. Os oito princípios são: 1- Visão correta; 2- Pensamento correto; 3- Expressão verbal adequada; 4- Ação correta; 5- Modo de vida correto; 6- Empenho adequado; 7- Observação adequada; e 8- Meditação adequada.

A partir de então, muitos eruditos budistas tentaram esclarecer e definir a verdadeira natureza da vida.

Por volta do terceiro século, Nagarjuna explicou por meio de sua teoria da não-substancialidade do universo que nenhum fenômeno é permanente, tudo está em constante mutação. Para Nagarjuna, essa visão da vida era o Caminho do Meio.

Posteriormente, na China, as idéias de Nagarjuna foram desenvolvidas por Tient’ai (Chi-i). Tient’ai afirmava que todos os fenômenos são manifestações de uma única entidade. A essa entidade ele chamou de Caminho do Meio. Ela revela dois aspectos: um físico e o outro, não-substancial. Ao negarmos ou enfatizarmos apenas um deles estaremos distorcendo a visão correta da vida. Não podemos, por exemplo, conceituar uma pessoa sem um aspecto físico e sem um aspecto mental ou espiritual. Tient’ai esclareceu portanto a inter-relação indivisível entre ambos os aspectos. Dessa visão derivam os conceitos budistas de inseparabilidade do corpo e da mente, do ser e seu meio ambiente, da vida e da morte, do bem e do mal e muitos outros.

Nitiren Daishonin (1222–1282), por sua vez, atribuiu uma forma concreta e prática a esses argumentos abstratos. Com base nos ensinos do Sutra de Lótus, Daishonin definiu o Caminho do Meio como Nam-myoho-rengue-kyo e ensinou que recitando essa frase as pessoas podem harmonizar e energizar os aspectos físico e espiritual e despertar para a mais profunda verdade da vida.

Dessa perspectiva, a vida — a energia vital e a sabedoria que permeiam o cosmos e manifestam-se em todos os fenômenos — é uma entidade que transcende e harmoniza as contradições aparentes entre os aspectos físico e mental e entre a vida e a morte.

As pessoas em geral tendem a uma visão predominantemente materialista ou então espiritualista da vida. Os efeitos negativos do materialismo que permeiam o mundo industrializado moderno são aparentes em cada nível da sociedade, da destruição ambiental ao empobrecimento espiritual. Não podemos simplesmente rejeitar o materialismo. Isso equivaleria ao idealismo ou ao escapismo e destruiria nossa capacidade de reagir aos desafios da vida de forma construtiva.

O historiador Eric Hobsbawm intitulou sua obra sobre o século XX de Era dos Extremos. De fato, a violência e os grandes desequilíbrios dessa era salientam a necessidade de um novo caminho de reconciliação pacífica dos aparentes opostos. Esse é o Caminho do Meio em que o respeito à vida prevalece, o caminho condutor a uma era de verdadeiro humanismo.

 

Comentários também no blog: http://estadodebuda.blogspot.com/2008/10/e-voc-trilha-o-caminho-do-meio.html

 

Coloque esse artigo no seu site

Para criar um link personalizado desse artigo no seu site, copie e cole o texto abaixo:



Previsao:

Em busca do Caminho do Meio
Dom, 19 de outubro de 2008



 
Comentários (1)
Aprendiz
1 Dom, 02 de novembro de 2008 11:30
???
Conheço os ensinamentos de Jesus e creio no poder do Divino em nós."Conheça-te a ti mesmo!!"Onde está o seu tesouro ali está o teu coração!!"
Desejo muito conhecer a filosofia budista pois vem de encontro com o que tenho buscado para a minha vida. É dificíl viver por aqui e ser coerente com o que acreditamos em termos de buscarmos nossa felicidade dentro de nós mesmos, no Divino que existe em nós e não no que nos cerca.Embora não possamos viver sem o material porque entendo que este complementa ainda, nosso estado espiritual,.Minha crença é que podemos nos tornar luz pura e aí sim o material não mais existirá em nossa vida porque então seremos o que verdadeiramente somos, seres esencialmete espiritual. Sei que minha imperfeição humana não me permite ainda , ser um Ser de pura luz, mas creio que atingirei de alguma forma esse estado e poderei apenas SER!

Adicione seu comentário

Seu Nome:
Seu e-mail:
Assunto:
Comentário:

Tradução


"Medito constantemente: Como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?"

Sakyamuni

"Sofra o que tiver que sofrer, desfrute o que tiver de ser desfrutado, considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida, e continue orando o NAM-MYOHO-RENGUE-KYO, não obstante o que aconteça."

Nitiren Daishonin

 

"A grandiosa Revolução Humana de uma única pessoa irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade"

Sensei Daisaku Ikeda