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Escuridão fundamental e iluminação PDF Imprimir E-mail
Escrito por Revista Terceira Civilização   

Escuridão fundamental e iluminação“Quando uma pessoa é dominada pela escuridão, é chamada de mortal comum, mas quando iluminada, é chamada de Buda. Isso se assemelha a um espelho embaçado que brilhará como uma jóia quando for polido. A mente que se encontra encoberta pela ilusão da escuridão inata da vida é como um espelho embaçado, mas quando for polida, é certo que se tornará como um espelho límpido, refletindo a natureza essencial dos fenômenos e da realidade. Manifeste uma profunda fé polindo seu espelho dia e noite. Como deve poli-lo? Não há outra forma senão devotar-se à recitação do Nam-myoho-rengue-kyo.” (“Sobre atingir o estado de Buda nesta existência”, Os Escritos de Nitiren Daishonin, vol. I, pág. 4.)


Esta frase do Buda Nitiren Daishonin (1222– 1282) revela que todas as pessoas, assim como tudo no Universo, possuem inerente a escuridão e a iluminação, o potencial para o mal e para o bem, para a infelicidade e a felicidade, para a destruição e a criação, ou seja, abrigam na própria vida a causa dos sofrimentos e a chave para sua solução.

Na vida de todo ser humano, a cada instante, processa-se uma batalha entre a escuridão fundamental e a iluminação. Que lado irá vencer? Isso dependerá da condição de vida predominante da pessoa, os chamados Dez Mundos ou Dez Estados da Vida (Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranqüilidade, Alegria, Erudição, Absorção, Bodhisattva e Buda).

 

Escuridão fundamental


Também conhecida como ignorância fundamental, é a ilusão mais profundamente arraigada na vida que origina todas as demais ilusões e desejos.

“Escuridão” significa cegueira em relação à verdade, particularmente, à verdadeira natureza da própria vida. O termo “escuridão fundamental” (gampon no mumyo, em japonês) é usado em contraste à iluminação fundamental ou a natureza de Buda inata (gampon no hossho). De acordo com o sutra Shrimala, a escuridão fundamental é a ilusão mais difícil de ser vencida e só pode ser erradicada por meio da sabedoria do Buda. É isso o que quer dizer a frase final do escrito de Daishonin: “Manifeste uma profunda fé polindo seu espelho dia e noite. Como deve poli-lo? Não há outra forma senão devotar-se à recitação do Nam-myoho-rengue-kyo.”

 

Como a escuridão fundamental se manifesta na vida das pessoas?


Como o breu da noite ou como uma espessa névoa que vai tomando conta de tudo, impedindo as pessoas de discernir formas e cores, assim é a escuridão fundamental da vida. Uma vez manifesta, vai agindo sorrateira e sutilmente e, sem que a pessoa perceba, já está completamente envolvida por ela, tornando-se incapaz de enxergar e reconhecer a verdade ou a essência de tudo que a cerca. Obscuras e tenebrosas também são suas diversas manifestações, como a violência, a corrupção, o autoritarismo, a traição, a discriminação, entre outras.

Essa escuridão inata impede que a verdadeira natureza da existência seja reconhecida. É literalmente a ilusão sobre a natureza da própria vida, bem como a fonte fundamental de todas as demais ilusões. Ignorante da natureza de sua própria existência, a pessoa tomada pela escuridão também ignora a natureza da vida das demais.

É por essa razão que atos bárbaros são praticados no mundo inteiro e, de certa forma, com o “consentimento” da maioria das pessoas. As guerras são um exemplo. O que justifica a matança de vários seres humanos nesses conflitos? Por mais razões que sejam apresentadas (políticas, econômicas, ideológicas), nada justifica tirar a vida de alguém. Porém, em várias partes do mundo as guerras continuam a eclodir.

A humanidade não está satisfeita com o estado do mundo atual. Um sentimento de futilidade e desespero lança uma sombra escura sobre ela e a sociedade.

Daisaku Ikeda destaca os seguintes pontos a respeito da decadência do ser humano e do mundo em decorrência da ação da escuridão ou ilusão fundamental:

“Enquanto o homem progride tecnologicamente, os padrões de moralidade humana tendem a declinar. A causa desse declínio tem sido a tola ilusão de que o poder conquistado pelo progresso tecnológico pode substituir os altos padrões morais. Romper com essa ilusão deve ser o ponto de partida do esforço para solucionar o dilema com que hoje o homem se debate, um dilema que ele mesmo criou.”

“Os políticos fazem do poder sua divindade onisciente e onipresente, que eles exaltam à custa do sacrifício do povo. E economistas, encantados pelo mágico poder do capital, explorando cruelmente os fracos, desceram ao nível daquilo que eles próprios chamam de ‘animais econômicos’. Em outras palavras, a civilização afastou-se da humanidade — de seu ponto de partida — e pessoas engajadas em muitos ramos tornaram-se desumanas e bestiais com o resultado de que, em vez de contribuírem para a felicidade das massas, os efeitos das atividades culturais anulam os seres humanos e os levam à perda do conceito de que nossa civilização deveria ser pelo e para o povo.

“É a excessiva boa vontade em escutar o apelo dos diversos desejos físicos e permitir que prevaleçam que está no âmago da fissura entre a moderna humanidade e sua civilização. Os inegáveis esplendores materiais que a nossa civilização gerou, em resposta às solicitações dos desejos, deverão um dia empalidecer e assemelharem-se a fantasmas, pois são construídos sobre o sacrifício da natureza, em favor da humanidade, sobre o outro em favor de si próprio e de um futuro melhor em favor do presente. Ademais, a imagem da verdadeira felicidade mental e espiritual humana está envolvida e escondida nela pela neblina do desejo e, assim escondida, está sendo erodida. Para os escravos do desejo, a felicidade é como o arco-íris sempre fora de alcance.

“Certamente, os desejos são parte da natureza humana, mas não toda ela. A rendição completa a esses desejos faz com que percamos de vista os nossos aspectos mais nobres. Os desejos podem consumir os seres como se fossem chamas. Aprender a controlá-los, de forma sábia, e preservar a nobreza de nossa humanidade, é o ponto de partida dos elementos da cultura espiritual, como a ética, a moralidade, a filosofia e a religião.

“Na sociedade moderna, entretanto, muitas pessoas tendem a considerar tais coisas como conceitos vazios e optam por uma liberalidade que leva a loucos excessos de permissividade.”

Esse panorama não tem mudado muito desde os tempos antigos. Ao longo da história, nações se aniquilaram em disputas e guerras, tudo para saciar o desejo por riquezas materiais. Porém, na mesma proporção que obtinham a prosperidade material, o espírito de seu povo empobrecia.

Daisaku Ikeda alerta para o inevitável colapso do mundo, caso não haja uma profunda mudança, uma reação das pessoas para dissipar a escuridão fundamental de sua própria vida. Ele diz: “Se mentes espiritualmente empobrecidas utilizarem as imensas forças físicas de destruição de que dispomos atualmente, o colapso da civilização moderna poderia significar o aniquilamento da humanidade. Nossa crise absolutamente não é o fogo do outro lado do rio. O mundo inteiro é um depósito de munições. E evitar o desejo de detoná-lo e colocar um ponto final na maré de decadência espiritual que avança rapidamente são missões para todos os seres humanos. É por isso que nunca devemos fraquejar em nosso anseio pela criação de uma cultura de paz absoluta.”

Em outras palavras, Ikeda propõe tratar a questão combatendo o mal pela raiz. Era esse também o pensamento do segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda. Em sua famosa “Declaração pela Abolição das Armas Nucleares”, proferida em 8 de setembro de 1957, ele deixou a seguinte mensagem: “Mesmo que neste momento esteja sendo realizado no mundo inteiro um movimento para abolir os testes nucleares, meu desejo é atacar o problema pela raiz, ou seja, cortar as garras ocultas exatamente na origem. (...) Digo isso porque nós, cidadãos do mundo, temos o direito inviolável à vida. Todo indivíduo que tentar colocar esse direito em perigo merece ser chamado de criatura diabólica, um ser abominável, um monstro. Mesmo que um país conquiste o mundo por meio do emprego de armas nucleares, o conquistador deverá ser considerado um demônio, a expressão suprema do mal. Creio que a missão de cada membro da Divisão dos Jovens do Japão é difundir essa idéia em todo o mundo.”4

Por “atacar o problema pela raiz” ou “cortar as garras ocultas exatamente na origem” ele quis dizer que a solução da questão não era propriamente a destruição de todas as armas nucleares. O que realmente deveria ser combatido era o mal gerador dessas armas, ou seja, a escuridão fundamental sob a forma da ganância alojada no coração e na mente das pessoas. Somente assim, Toda acreditava que poderia “banir a miséria da face da Terra”.

 

Avareza, ira e estupidez — os principais alimentos da escuridão fundamental


A vida possui os chamados três venenos (sandoku, em japonês) inerentes, que são a origem de todos os sofrimentos. São eles: a avareza, a ira e a estupidez. Sandoku também é comumente traduzido como “ganância, ódio e ignorância”. O Daitido Ron (Tratado sobre o Sutra da Grande Perfeição da Sabedoria), obra de Nagarjuna e base do pensamento Mahayana, classifica os três venenos como a fonte de todas as ilusões e desejos mundanos, e são assim chamados porque turvam, poluem e corrompem a vida das pessoas. Por essa razão, são os alimentos ou nutrientes principais da escuridão ou ilusão fundamental.

Ainda segundo interpretações budistas, afirma-se que os três venenos sejam as causas subjacentes de três calamidades que submetem o ser humano a condições de existências extremamente indignas. A avareza ou ganância é o que está por trás da destruição das fontes naturais e da poluição do meio ambiente, que conduz à fome e à pobreza. A ira ou o ódio é a causa da violência física, das guerras e dos conflitos. Quanto à estupidez ou ignorância (que significa estar cego para as conseqüências das próprias ações) provoca pestes, epidemias ou doenças.

Portanto, se a humanidade quiser combater os efeitos dos três venenos, precisará de um antídoto e, da mesma forma que na natureza, o principal componente desse antídoto é o próprio veneno. Segundo os ensinamentos budistas, os “desejos mundanos são a própria iluminação” e a escuridão fundamental e a iluminação ou estado de Buda integram uma mesma entidade. Dessa forma, é preciso direcionar esses desejos para o bem, lançando luz sobre a escuridão.

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Comentários (3)
parabéns!
3 Sáb, 25 de outubro de 2008 12:57
???
Quero parabenizar o site por dispor ao internauta tantas informações úteis sobre o Budismo de Nitiren Daishonin. Consegui acessar a audição do Nam Myoho Rengue Kyo e fiquei emocionada! Meu filho está sendo introduzido no Budismo e visualizei várias matérias importantes para ele se aprimorar. Mais uma vez, minhas felicitações!
ORIENTAÇÕES OTIMAS PARA O BEM DA HUMANIDADE
2 Sex, 17 de outubro de 2008 18:44
???
FIQUEI ENTUSIASMADO EM VER AS ORIENTAÇÕES DO MEU MESTRE DA VIDA IKEDA SENSEI CONTRIBUINDO PARA QUE AS PESSOAS VENHAM DESPERTAR PARA O BEM ERRADICANDO A ESCURIDÃO FUNDAMENTAL DA SUA PRÓPRIA VIDA. RECITANDO O NAM MYO HO REN GUE KYO PARA ATINGIR O ESTADO DE BUDA.
textos maravilhosos
1 Dom, 17 de agosto de 2008 17:11
???
Entrei neste site hoje, tenho mais ou menos uns tres meses de prática budista, recebi meu gohonzon em junho e achei maravilhoso este site, principalmente para que está iniciando. vocês são maravilhosos por nos proporcionarem um site assim...desejo muita boa sorte a todos. abraços

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"Medito constantemente: Como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?"

Sakyamuni

"Sofra o que tiver que sofrer, desfrute o que tiver de ser desfrutado, considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida, e continue orando o NAM-MYOHO-RENGUE-KYO, não obstante o que aconteça."

Nitiren Daishonin

 

"A grandiosa Revolução Humana de uma única pessoa irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade"

Sensei Daisaku Ikeda