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Doenças da mente e o Budismo PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Revista Terceira Civilização 404   

Doenças da mente e o BudismoA investigação científica dos fenômenos, a análise da natureza e dos mecanismos da mente e da cognição humanas têm levado ao intercâmbio entre várias ciências, como neurociência, psicologia, lingüística, filosofia e inteligência artificial. Juntas, elas formam a Ciência Cognitiva e têm o intuito de congregar esforços para a compreensão da mente humana. A neurociência estuda o desenvolvimento e as funções do sistema nervoso (o cérebro); a psicologia, as teorias sobre o funcionamento da mente propriamente dita; a lingüística, a principal função da mente humana (a linguagem); a filosofia fornece, por meio da lógica e da epistemologia, vários fundamento e dos instrumentos de análise de hipóteses da Ciência Cognitiva; e a inteligência artificial fornece os modelos de máquinas reais ou teóricas que poderiam simular a mente humana, particularmente o pensamento.

A Ciência Cognitiva procura entender a mente como um todo e sua relação com o cérebro. Além de imenso arsenal teórico e empírico, baseia-se na ciência da matéria para estudar os fenômenos e propor-lhes explicação e tratamento.

 

Medicina psicossomática

Um novo enfoque dos males físico e mental

Os grandes avanços científicos e técnicos no campos das ciências experimentais aplicadas à medicina e às ciências da saúde em geral nas últimas décadas vêm desencadeando uma série de transformações nesses campos. O maior conhecimento sobre o funcionamento do corpo humano e as causas dos males que afligem a humanidade fez surgir novos enfoques, como a medicina psicossomática, que tem ganhado cada vez mais adeptos, apesar de haver ainda muitos profissionais na área de saúde que acreditam que os males têm origem biológica (ou orgânicos).

A medicina psicossomática, relativamente recente, organizou-se há aproximadamente cinqüenta anos. O termo “psicossomática”, “psyché = alma” e “soma = corpo”, foi introduzido na medicina por Heirolth, em 1918, e exprimia sua crença na influência das paixões sexuais sobre as doenças (tuberculose, epilepsia e câncer). Em 1928, ele definiu o termo “somatopsíquico” para assinalar doenças em que o fator corporal modificava o estado psíquico.

A postura psicossomática deriva-se de uma posição holística e considera o todo e as inter-relações dinâmicas de suas partes. O termo grego “holos” significa total e foi introduzido na medicina por Smuts em 1922. Esse conceito tenta resgatar o que na antiga Grécia Hipócrates, Platão e Aristóteles consideravam a unidade indivisível do ser humano.

Desde a Antiguidade, passando pela Idade Média, até o século XVII, essa idéia foi sendo substituída pela da divisão do corpo e da alma, em decorrência, principalmente, da ordem religiosa. Esse pensamento alcançou seu ápice com Descartes, que teve uma grande influência no pensamento médico. Suas idéias preconizavam que a medicina deveria ocupar-se do corpo, encarada como uma máquina a ser entendida e conservada. Por isso, durante séculos e mesmo até Freud, admitia-se que as doenças eram causadas por agentes externos, com exceção dos males congênitos e hereditários. O advento da psicanálise e sua progressiva aceitação revolucionaram esse conceito e introduziram um novo: o de que algumas doenças ou males do corpo constituíam uma mera expressão dos males do espírito, ou seja, provinham de dentro da pessoa.

Atualmente, a psicossomática tenta compreender os processos que levam uma pessoa à doença, encarando-a não como um evento casual, mas sim, como resposta de um indivíduo que vive em uma sociedade, em constante interação com outras pessoas, parte ativa de microestruturas — a familiar, a do grupo social e a do trabalho — inseridas em uma macroestrutura social e cultural, situada em determinado ambiente físico e que procura resolver, da melhor maneira possível, sua existência no mundo.

 

A somatização das emoções

Cada pessoa, ao deparar com uma situação estressante, reage de um modo particular, dependendo de sua história pessoal, circunstâncias, aptidões e personalidade. Uma reação natural diante de qualquer acontecimento seria encarar objetivamente a situação, discutir, refletir e superar, utilizando-se dos recursos disponíveis. Porém, quando isso não ocorre, seja porque não ter consciência da realidade que se apresenta, seja por não conseguir administrá-la, tende-se a lançar mão de outros recursos para enfrentar o problema.

Esses recursos podem ser a fantasia, a racionalização, a negação, a oração. Emocionalmente, pode-se ficar deprimido, agredir, culpar a si ou a outros, chorar, gritar. Ou ainda isolar-se, exibir-se, brincar, arriscar-se, comer, beber, fumar, trabalhar excessivamente e, por fim, adoecer. Apesar de não perceber ou ainda, não aceitar o fato, todas as pessoas somatizam com maior ou menor intensidade ao longo da vida. As palpitações e o suor frio antes de se apresentar em público, as dores de cabeça que surgem depois de um acontecimento desagradável são alguns exemplos de somatização. E essa influência pode ocorrer tanto da mente para o corpo (vômito, taquicardia) como vice-versa, como por exemplo, no caso de um pessoa que nasce com uma doença do coração e sofre os efeitos psicológicos dessa situação, ou que tem uma parte da anatomia amputada, o que vem a afetá-la emocionalmente.

 

Distúrbios psicossomáticos

As doenças psicossomáticas podem influir na saúde do corpo de maneira intensa. Como isso ocorre? O cérebro possui uma região chamada hipotálamo, diretamente ligada a uma glândula — a hipófise. Essa glândula, localizada bem embaixo do cérebro, produz hormônios que praticamente controlam todas as funções do organismo. Como o hipotálamo é uma espécie de antena captadora das emoções e sentimentos mais intensos, essas emoções acabam alterando seu funcionamento e sua relação com a hipófise, resultando em doenças respiratórias, de pele, circulatórias e gastrointestinais causadas ou agravadas pela tensão nervosa.

O processo é particularmente grave nos adolescentes, que desenvolvem desde uma simples acne até casos de câncer, fazendo chegar ao organismo alterações emocionais provocadas por conflitos familiares. O problema tende a se agravar com o tempo. É necessário o atendimento psicológico para que a pessoa reconheça e compreenda que a origem de suas dificuldades está nos distúrbios emocionais.

As emoções negativas, como a ansiedade, a raiva e a tristeza, são as três emoções negativas mais importantes que comprometem a saúde física de uma pessoa. Já as emoções positivas, como a alegria, a felicidade ou o amor, potencializam a saúde. Por exemplo, em períodos de estresse, quando as pessoas desenvolvem muitas reações emocionais negativas, é mais provável que surjam certas doenças relacionadas com o sistema imunológico, como por exemplo, a gripe, herpes, diarréias, ou outras infecções ocasionadas por vírus oportunistas. Em contrapartida, o bom humor, o riso, a felicidade ajudam a manter ou recuperar a saúde.

Colaboração: Luciana Monteiro, psicóloga. Para mais informações consulte o site: http://sites.uol.com.br/gballone/psicossomatica/psicossom.html

Distúrbios psicossomáticos mais freqüentes

1-Problemas respiratórios

Asma brônquica, dispnéia ansiosa. Situações de conflitos costumam agravar ou piorar o quadro dos asmáticos, podendo estar mais susceptíveis a desenvolver alergias e infecções respiratórias.

2-Problemas cardiovasculares

Hipertensão arterial, arteriosclerose, infarto. A hipertensão pode ter causas desconhecidas ou originar-se de doenças dos rins ou do coração. Este é um mal que atinge mais de 15% da população brasileira e nem sempre é reconhecido por ter sintomas que podem ser confundidos com outras doenças, como dor de cabeça, tontura, zumbido nos ouvidos, cansaço e fraqueza. Pessoas com problemas cardíacos, como anginas ou arritmias, podem ter uma piora de suas doenças por choques psicológicos, podendo até evoluir para situações graves (uma característica comum a essas pessoas é a agressividade, irritabilidade e intolerância à frustração, sendo até denominadas de pessoas do tipo A, com maior risco para doenças coronarianas).

3-Problemas gastrointestinais

Gastrite, úlcera, diarréia, constipação. Tanto a gastrite como a úlcera do duodeno são doenças profundamente ligadas ao estado emocional da pessoa. Uma das causas do distúrbio é uma elevação da quantidade de ácido clorídrico produzido pelo estômago, que passa a corroer a parede do próprio órgão. Os sintomas são dor, azia, enjôo e sensação de peso no estômago.

4-Músculos

Contração crônica, cefaléia tensional, artrite. A artrite ou outras doenças do tecido conjuntivo podem se agravar por simples mudanças emocionais. A cefaléia pode ser causada ou agravada por distúrbios psicológicos. A causa principal é uma contração crônica da musculatura facial e cervical posterior.

5-Pele

Aparecimento de eczemas, psoríase, urticária, acne. Algumas pessoas podem apresentar alergia cutânea, desencadeada em momentos de grande ansiedade. A caspa e a acne estão também relacionadas com a tensão nervosa. Tanto uma como a outra são manifestações que fazem as glândulas da pele produzirem secreção oleosa em excesso. Os eczemas que provocam vermelhidão e descamação da pele pioram muito quando a pessoa está angustiada ou ansiosa.

6-Problemas emocionais

Ansiedade, depressão. Por vezes até o sistema endocrinológico pode sofrer por influência do emocional, como no caso das doenças da tireóide e do diabetes. A obesidade de fundo orgânico pode muitas vezes piorar por fatores psicológicos, pois comer pode aliviar temporariamente a ansiedade.


Vale lembrar que pessoas que sofrem desses problemas de saúde devem procurar ajuda médica, pois o problema não se resolverá simplesmente lendo livros de auto-ajuda etc.

Nesses casos, o médico tratará o sintoma (doença) e o psicólogo ou o psicoterapeuta ajudará na solução da causa (conflito psíquico/emocional).

O reconhecimento de que os processos biológicos do corpo influenciam a mente e vice-versa é compatível com a teoria budista de inseparabilidade do corpo e da mente.

Estudos também têm relacionado a depressão a fatores genéticos. Pesquisas demonstram que a depressão pode ocorrer com maior freqüência em certas famílias do que em outras. A partir desse fato, os pesquisadores concluíram que a probabilidade de ter depressão é em parte determinada pela hereditariedade, embora outros fatores sejam determinantes, como o uso de medicamentos, as doenças físicas, a personalidade e a dificuldade para resolver os próprios problemas. Essa noção condiz com a conceituação budista de que os males da mente são “doenças cármicas”. Nascer em uma determinada família e herdar essa tendência por meio dos genes é um indicativo do conceito budista do carma.

Do ponto de vista do budismo, existem dois tipos de doenças: as físicas e as mentais. As doenças físicas são facilmente tratadas por médicos. Já as doenças mentais são decorrentes dos três venenos da avareza, ira e estupidez. Eles agem na mente das pessoas, gerando ansiedade, tristeza, desespero e hostilidade. Essa condição mental reflete-se no corpo, provocando um desequilíbrio no sistema hormonal e imunológico, deixando o organismo susceptível às doenças.

O aumento da energia vital por meio da prática budista age de forma positiva na vida de uma pessoa, despertando-a para o ilimitado potencial inerente em sua vida, fortalecendo-a de modo que as adversidades sejam um meio para seu contínuo desenvolvimento.

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Comentários (1)
Comentario.
1 Sáb, 01 de novembro de 2008 17:00
???
Matéria de grande amplitude, cientifíca e inteligentemente sintetizada. Parabens! Até quanto somos células/memórias ambulantes? Desculpem; pergunta de ignorante. Muito, muito grato.

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