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Violência um medo que ronda todos PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Revista Terceira Civilização 417   

A violência atinge a todosDiariamente notícias que chocam até mesmo os mais aficionados por contos policiais são veiculadas junto com a previsão do tempo, as investigações de corrupção de políticos e com os resultados de jogos de futebol como se fossem algo já incorporado ao cotidiano de todos. A violência, em todas as suas formas, atinge diretamente o ser humano e é ironicamente democrática. Ninguém está livre dela: ricos, pobres, negros, brancos, eruditos, iletrados, adultos e crianças - todos são vítimas em potencial. Atualmente, até mesmo o que era considerado o núcleo mais seguro e imaculado de todo ser humano, ou seja, a família, mostra sinais de profundo desgaste.

Relatos de pessoas assassinadas por um membro da própria família deixam a sociedade estarrecida, porém, em pouco tempo, formam-se mais uma notícia perdida em meio a tantas outras tragédias corriqueiras. A sociedade clama por uma filosofia que resgate o humanismo, que pregue o supremo valor da vida de cada indivíduo. Neste sentido, o movimento da SGI pela promoção da paz, cultura e educação é de grande valia.

"Alguém falou do fim do mundo..."

por Silvana Galvani Claudino, psicóloga e psicodramatista

Nas letras de Renato Russo, saudoso poeta e músico, é possível verificar que elas oscilam da extrema agressividade à exagerada doçura. Em sua obra ele traduzia seu sentimento, às vezes, desesperado, frente à realidade de uma juventude carente e, ao mesmo tempo, perdida com a inversão de valores de nossa sociedade.

O educador Tsunessaburo Makiguti defende em seu livro Sistema Pedagógico da Criação de Valor que a educação é responsável não somente pela transmissão de conteúdo mas, e principalmente, dos valores que respaldarão toda a vida do indivíduo, ou seja, é responsável pela formação do seu caráter.

Paralelamente, na proposta "Construindo uma Sociedade que sirva às necessidades fundamentais da Educação", o líder da SGI, Daisaku Ikeda, fala do colapso da sociedade japonesa - e a nossa situação não é diferente - e conclui que as causas estão no declínio das funções educacionais entendendo a educação em sua forma mais ampla, ou seja, aquela transmitida na escola, na família e na sociedade como um todo. (Terceira Civilização, edição nº 391, março de 2001, págs. 6-15.)

De maneira simplificada isso significa:

Declínio da educação = inversão de valores = violência, desrespeito às diferenças, desconsideração pelo outro etc.

Em relação a isso, em sua proposta, o presidente Ikeda sugere sérias e concretas mudanças no sistema educacional das quais ressalto duas, a meu ver, fundamentais:

1) A importância de cultivar o humanismo nas crianças, envolvê-las em atividades criativas e construtivas, principalmente junto à comunidade e à natureza. "A sensação de que suas ações são de valia para os outros fortalece a convicção nos jovens e solidifica a base para seu crescimento espiritual" - defende. (Ibidem.) Makiguti chamaria isso de cultivar o valor do bem - valor social ligado à existência coletiva/grupal - que é defendido por ele como sendo o de maior importância e que deveria ser cultivado na vida do indivíduo desde a mais tenra idade. Conforme suas palavras, é necessário "desenvolver pessoas que possam realizar coisas valorosas".

2) "A educação não deve absolutamente se restringir às salas de aula mas ser considerada como uma missão empreendida e realizada por toda a sociedade, ou seja, pela escola, família e comunidade. Ela é missão de cada um de nós." (Ibidem.)

Conforme os versos da canção "Vamos fazer um filme", de Renato Russo, "Alguém falou do fim do mundo / o fim do mundo já passou / vamos começar de novo / um por todos e todos por um", nunca é tarde para um recomeço.

 

O retrato da violência no Brasil

por Rita Ribeiro, socióloga

Nos dias atuais, é com freqüência que os meios de comunicação mostram casos de violência na família que terminam em tragédia. Esta é uma situação limite num panorama crítico que vem se mantendo há anos, principalmente, nas cidades brasileiras com mais de um milhão de habitantes. Na verdade, tais fatos desnudam a desestruturação social em virtude do crescimento urbano, cujo maior alvo são os jovens.

Nas últimas décadas, depois do conhecido "milagre brasileiro" dos anos 70, que correspondeu a um crescimento econômico sem precedentes, a violência no país aumentou. Homens entre 15 e 24 anos, segundo o IBGE (2000), tiveram o maior número de óbitos por violência - homicídio, suicídio, acidentes de trânsito e uso de armas de fogo. A Unesco (2002) posicionou o Brasil em terceiro lugar no ranking mundial (70,7%) com relação a essa faixa etária, sendo o assassinato (39,2%) a maior causa de mortes.

São Paulo, Recife e Rio de Janeiro são as cidades brasileiras com o maior índice dessas ocorrências. A capital paulista é um claro exemplo de violência relacionada ao crescimento urbano. Entre 1890 e 1990, sua população passou de 65 mil para 17 milhões de habitantes. O desequilibrado crescimento demográfico gerou uma situação alarmante na cidade e inserido nele, além da violência juvenil, está a maior incidência de morte por homicídios entre crianças de 10 e 14 anos.

A violência urbana é resultado da perda de valores, uma espécie de vácuo cultural e social, que o crescimento urbano desordenado provoca. O professor Tsunessaburo Makiguti (1871-1944), fundador da Soka Gakkai, preocupava-se com o acelerado desenvolvimento econômico e social do Japão de sua época e viu na educação o meio para mudar essa realidade. É fundamental, portanto, desenvolver nas crianças - futuros jovens e adultos - o senso de humanismo, a fim de construir uma sociedade sem violência e de paz duradoura.


FONTES: Waiselfisz, Jacobo. Mapa da Violência 3: os jovens do Brasil. Unesco. Brasília: 2002. http://www.estado.com.br/editorias/ 2002/03/22/ cid045.html IBGE. Indicadores sociais. 2000.

 

 

 

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"Medito constantemente: Como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?"

Sakyamuni

"Sofra o que tiver que sofrer, desfrute o que tiver de ser desfrutado, considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida, e continue orando o NAM-MYOHO-RENGUE-KYO, não obstante o que aconteça."

Nitiren Daishonin

 

"A grandiosa Revolução Humana de uma única pessoa irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade"

Sensei Daisaku Ikeda