


| Domínio da mente sobre o corpo |
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| Escrito por REVISTA TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 444 | |
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Corpo ou matéria é tudo aquilo que se pode tocar ou sentir concretamente; o fenômeno físico; a pele, o sangue, cada nervo e articulação do ser humano; uma pedra, uma flor, um prédio. Mente ou espírito é tudo aquilo que não se pode ver nem tocar, apenas é possível sentir espiritualmente; o fenômeno imaterial; a razão, os sentidos, a emoção, a vontade; a energia vital que pulsa no Universo. No entanto, é inquestionável a relação entre esses dois fenômenos e a importância particular da mente na determinação de circunstâncias ou condições palpáveis. Aliás, cada vez mais, a própria ciência descobre as influências diretas da mente sobre o corpo. No budismo, o princípio da unicidade do corpo e da mente (shiki shin funi, em japonês) explica que esses dois fenômenos, físico e espiritual, são unos e que sua inseparabilidade é a “verdadeira entidade de todos os fenômenos”. O corpo, ou o aspecto material (shiki), inclui tudo que pode ser discernido externamente ou visivelmente, como a cor, a forma e a textura. A mente, ou o espírito (shin), refere-se aos aspectos da vida, que são internos ou invisíveis, como as emoções, o desejo e a personalidade. A unicidade de ambos é indicada pela palavra funi que significa “dois, mas não dois” e “não dois, mas dois”. Apesar de parecer um enigma, esse princípio esclarece que embora seja possível observar o corpo e a mente separadamente, eles são unos em essência. Ambos surgem da mesma entidade fundamental: a vida. Compreender o shiki shin funi é desvendar a realidade fundamental da própria vida.O Buda Original Nitiren Daishonin esclarece a esse respeito: "Uma pessoa pode compreender a mente de outra pela voz. Isto porque o aspecto físico revela o aspecto espiritual. Os aspectos físico e espiritual, que são unos em essência, manifestam-se como dois aspectos distintos." Todas as funções da vida são reveladas tanto física como espiritualmente. Um outro princípio budista torna mais fácil a compreensão sobre essa relação entre corpo e mente ou matéria e espírito: os dez fatores. No Sutra de Lótus consta: “A essência real de todos os fenômenos somente pode ser compreendida e partilhada entre os budas. Essa realidade consiste de aparência, natureza, entidade, poder, influência, causa interna, relação, efeito latente, efeito manifesto e consistência do início ao fim.” Esses dez fatores, expostos como a realidade de tudo, nada mais são do que as expressões do corpo ou da mente. Nitiren Daishonin declarou: “Aparência é corpo… Natureza é mente. Entidade é tanto corpo como mente.” Ou seja, aparência externa e natureza interna são fases intrínsecas da entidade da vida. Assim, quando uma pessoa passa por algum sofrimento ou angústia profundos e não consegue superá-los, sendo dominada pela situação adversa, sua força vital se enfraquece e o próprio corpo mostra sinais de perda de vitalidade. Pequenas mudanças no estado mental ou emocional de uma pessoa, sejam positivas ou negativas, são exteriorizadas e refletidas na expressão facial, no funcionamento do corpo e nas atitudes. A unicidade da mente e do corpo é a própria expressão do último dos dez fatores: a consistência do início ao fim. Por exemplo, o sono revigora o corpo, mas também cumpre um papel psicológico vital. Ler um livro, que inspire ou distraia a mente, também envolve o uso do corpo. Tanto o trabalho braçal como o mental exigem a interação entre ambos. Essa relação também é perfeitamente ilustrada pela síndrome de estresse da era moderna. O estresse pode ser causado por fatores físicos ou químicos, como o tumulto ou agitação do dia-a-dia, o calor, o frio; por fatores fisiológicos, como fome e exaustão; sem mencionar as tensões psicológicas e sociais, que inclui fatos como problemas de relacionamento humano, preocupações com a situação financeira, a doença ou a morte de um ente querido. Igualmente, os efeitos do estresse são tanto físicos como mentais, resultando em irritação, tensão, depressão, úlceras estomacais, pressão arterial alta, entre outros males. O estresse pode ser aliviado de várias formas: com pensamentos positivos, exercícios físicos como caminhadas e natação. Hoje, torna-se não só desejável, mas vital que em todos os campos de empreendimento seja dada igual importância ao corpo e à mente. Segundo Martin Seligman, professor de Psicologia da Universidade da Pensilvânia, pessoas que só pensam em si mesmas e que consideram apenas seus interesses, são presas fáceis do pessimismo. A morte de um ente querido, o divórcio e o fracasso nos negócios são algumas das causas mais sérias de estresse e fadiga. Quanto mais idosa a pessoa for, mais devastadores são os efeitos. Essa pessoa se sente terrivelmente sozinha em meio à mais completa escuridão do sofrimento e da dor. Nessas condições, ela se sente oprimida por uma sensação de isolamento e angústia, o que é natural, pois são seres humanos. Justamente por essa razão, diz o Dr. Seligman, é essencial que as pessoas observem as profundezas de seu coração e que sejam os hábeis pintores e artistas que se dispõem a retocar seu modo de pensar com maravilhosas cores de esperança. Enquanto permanecerem preocupadas com seus próprios problemas e cegas de obcessão pelos caprichos ditados pela própria mente, continuarão a sofrer. Devem se tornar senhoras de sua mente, não permitindo que ela as domine, redirecionando-a conscientemente para a alegria e o otimismo e para ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo. “Uma pessoa deve tornar-se senhora de sua mente em vez de permitir que ela a domine.” Esta sábia frase de Nitiren Daishonin expõe a chave para uma vida saudável e valorosa em todos os aspectos. Dominar a mente possibilita à pessoa revelar um ilimitado potencial. As barreiras ou situações adversas que parecem intransponíveis a ela são, na verdade, limitações impostas pela sua própria mente ou espírito. Uma vez vencida esta batalha interior, qualquer dificuldade pode ser enfrentada corajosamente. O grande filósofo e escritor Leon Tolstoi argumentou: “Creio que os seres humanos possuem capacidades ilimitadas, não apenas espirituais como também físicas. Mas, ao mesmo tempo, possuímos um freio temeroso que impede essas ilimitadas capacidades.” E qual seria, então, esse freio que atrapalha suas forças? Tolstoi acreditava que eram as noções preconcebidas que se tem sobre si mesmo, os limites que se impõem, ou as suposições a respeito da impotência dos seres humanos.
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"Medito constantemente: Como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?" Sakyamuni |
"Sofra o que tiver que sofrer, desfrute o que tiver de ser desfrutado, considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida, e continue orando o NAM-MYOHO-RENGUE-KYO, não obstante o que aconteça." Nitiren Daishonin
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"A grandiosa Revolução Humana de uma única pessoa irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade" Sensei Daisaku Ikeda |