


| A teoria cognitiva da depressão |
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| Escrito por Lee Wolfson (Material cedido por Laís Gama) | |
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Via a depressão atacar pacientes com uma malignidade e totalidade que parecia privá-los da essência de sua humanidade. Vi famílias, que por gerações foram acossadas pelo suicídio e depressão. Vi pacientes que sofriam prolongadamento a perda de pessoas queridas, ou que não conseguiam se adaptar à aposentadoria, ou cujos problemas não solucionados de uma existência de insatisfação haviam finalmente se transformado em reflexão sombria e arrependimento constante. E vi pacientes que ficavam deprimidos sem nenhuma razão, mas sofriam a moléstia tão profundamente quanto aqueles que possuíam bons motivos para tanto. Lee Wolfson é psicoterapeuta do Instituto e Clínica de Psiquiatria Ocidental (ICPO) do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh. Membro da SGI-USA desde 1972, ele também ocupa cargo de vice-responsável de área Filadélfia (USA).e responsável de regional. Em 1989, iniciei treinamento na psicoterapia interpessoal, e em maio de 1990, juntei-me ao Dr. Charles Reynolds e à equipe do Programa de Prevenção da Depressão na Velhice como um psicoterapeuta. Esse programa é destinado ao estudo da manutenção de terapias para a depressão na população geriátrica. Enquanto trabalhava como terapeuta, fui atraído a explorar totalmente o significado filosófico da depressão conforme esta ocorre na vida humana moderna. Como um praticante budista, considerei importante examinar teorias referentes à doença emocional e de que maneira estas se relacionam com a filosofia budista. Naturalmente, eu me perguntava se a crença de uma pessoa desempenhava algum papel para prevenir ou aumentar a vulnerabilidade para a depressão. Esta tarde, gostaria de dividir com os senhores algumas observações que fiz a respeito da visão de mundo que está contida nos ensinos de Nitiren Daishonin e que relação esta tem com a depressão. Antes de fazê-lo, penso que seja importante explicar a que me refiro por depressão. Quando falamos sobre doença emocional, depressão profunda, começamos a verificar que a depressão assume uma vida própria. Um aglomerado de sintomas surge na vida da pessoa, desânimo, distúrbio no sono, perda de apetite, nenhuma energia, pouca concentração, perda de interesse e incapacidade para desfrutar a vida. Quando isto acontece, nem mesmo uma palavra amável, uma caminhada sob o sol,. uma mudança nas circunstâncias são suficientes. O bom senso deixa de prover um remédio e a pessoa parece cair num abismo escuro de desespero e falta de esperança. Porém, também podemos pensar na depressão como um continuum, estendendo-se desde a tristeza transitória de ver os Piratas (1) fracassarem novamente, sem conseguir vencer o Campeonato Mundial, ao tipo de depressão que pode levar a pessoa a concluir que o suicídio é a única solução lógica, sensata e atraente. Independentemente de onde a pessoa possa se encontrar nesse continuum, o ponto importante é que esse sentimento resiste ao tempo, e é caraterizado pela disfunção e infelicidade. Há muitas teorias da depressão, e aqui estão algumas delas : Existe a teoria tradicional psicanalítica, que se concentra na "perda do objeto" e na "perda da auto-estima". Temos também a explanação mais comum, exposta primeiramente por Karl Abraham, de que a depressão é uma raiva voltada para dentro. Mais recentemente, há uma forte evidência de que a depressão seja uma doença biológica envolvendo desequilíbrios metabólicos no cérebro. O conceito budista de "unicidade da mente e do corpo" (shiki shin funi) foi interpretado principalmente como a "mente" influenciando o "corpo". O reconhecimento de que os processos biológicos do corpo influenciam a mente também é compatível com a teoria budista. Tive muitas oportunidades para discutir os conceitos budistas com o meu colega Dr. Mark Miller, professor assistente de psiquiatria e diretor médico do Programa de Prevenção da Depressão na Velhice. Com respeito a shiki shin funi, o Dr. Miller disse : "Não há mais dúvida de que existe uma relação íntima, recíproca, entre a mente e o corpo. Durante muitos anos, os médicos tiveram muitas experiências curiosas que demonstravam claramente essa ligação. entretanto, não havia nenhuma prova científica. Aqui, no ICPO efetuamos estudos sobre o sono que mostraram nitidamente diferenças na atividade cerebral ente os pacientes deprimidos e os não-deprimidos." "Sabemos também que viúvas que perderam os maridos recentemente sofrem supressão nos sistemas imunológicos. Só agora estamos começando a entender a sutil interação entre ciclos de sono e insônia, ritmos circadianos, sensibilidade à luz e como estes podem afetar a emoção humana. Nunca houve uma época mais excitante ou esperançosa para estar envolvido neste campo. A medida que a pesquisa nessas áreas progride, torna-se mais aparente que o conceito budista de shiki shin funi continuará a ser validado. " Os estudos também têm mostrado claramente que fortes fatores genéticos estão envolvidos na depressão. Alguém com um membro da família de parentesco de primeiro grau com depressão é muito mais vulnerável a ela. E embora haja fatores múltiplos em operarão, a genética parece desempenhar o papel de maior amplitude. Essa noção condiz com a conceituação budista de que os males da mente são "doenças cármicas". Certamente, nascer numa família em particular, onde a vulnerabilidade é transmitida por meio de genes é um expressivo indicativo do carma. O que considerei mais intrigante é a teoria cognitiva da depressão, desenvolvida pelo Dr. Aaron Beck, um pesquisador e clínico psiquiátrico da Filadélfia altamente respeitado. A teoria do Dr. Beck sobre a desordem emocional representou uma mudança paradigmática no campo da psicologia. Até os anos 60, a psicologia comportamental utilizava um simples modelo estímulo-resposta. Não havia o reconhecimento de que as variáveis cognitivas como a expectativa, auto-verbalizações, estilo explanatório e predições poderiam desempenhar algum papel no aprendizado e no comportamento humano. Com o advento da escola cognitiva da psicologia, prestou-se mais atenção aos processos do raciocínio do indivíduo, o "diálogo- interno" que a maioria de nós chamamos de pensamento. Esse modelo para a interação da cognição, emoção e comportamento é surpreendentemente similar ao princípio budista dos cinco componentes da vida. Nesse modelo, a vida do indivíduo é considerada uma união temporária dos cinco componentes e segue o seguinte caminho : (1º) Forma; (2º) Percepção; (3º) Concepção; (4º) Volição; e (5º) Consciência. Em outras palavras, a consciência é vista como um "ambiente" habitado por nossa força vital. Essa consciência, então, habita nossa forma, ou entidade física que possui cinco órgãos sensoriais. Por intermédio dessa forma percebemos o mundo e integramos essa informação com a nossa mente (percepção). Então, criamos noções mentais a respeito do que percebemos (conceito) e agimos com base no que foi percebido (volição). De uma perspectiva budista, os problemas surgem quando a vida do indivíduo é afetada pelos três venenos da avareza, ira e estupidez (2). Quando a vida das pessoas é dominada pela avareza, ira ou estupidez, as percepções delas são distorcidas e as ações que efetuam só servem para levá-las a sofrer mais ainda. Essa idéia é, na realidade, parte de uma teoria bastante profunda e esclarecedora do budismo, denominada itinen sanzen (3) . Em síntese, o budismo sempre reconheceu o importante papel da cognição no comportamento humano. Nesse trabalho com pacientes que sofriam de depressão profunda, o Dr. Beck observou que a depressão primariamente não era um distúrbio de ânimo, mas um resultado de visões negativamente preconceituosas do eu, do mundo e do futuro. Constatou-se que essas "visões distorcidas" ou distúrbios cognitivos, conduzem a manifestações afetivas, de motivação e Ademais, esses esquemas operam abaixo da superfície da consciência normal e funcionam mais ou menos como respostas automáticas. Uma vez ativado, o esquema influencia o processamento de novas experiências por meio da atenção seletiva e da reconstituição de memórias passadas por intermédio da lembrança seletiva. Em outras palavras, enxergamos e escutamos aquilo que queremos enxergar e escutar, e lembramo-nos somente daquilo que queremos lembrar. Deste modo, nossos padrões cognitivos tornam-se auto-confirmantes. Apesar de não acreditar que a teoria cognitiva seja a explicação para a depressão, ela certamente esclarece um dos caminhos da depressão. Se aceitarmos a idéia de que essas cognições ou pensamentos distorcidos e negativos causem ou perpetuem a depressão, então, pelos propósitos da discussão de hoje, considero importante examinar os conceitos de eu, mundo e indivíduo conforme expressos nos ensinamentos budistas. Felizmente, existe um amplo volume de escrituras originais de Nitiren Daishonin. Elas são denominadas de Gosho e consistem em cartas a seus discípulos bem como teses. Uma das principais razões de essa teoria da depressão ter chamado a minha atenção foi o fato de eu, por acaso, estar estudando "A Essência Real de Todos os Fenômenos" , e ter me deparado com a seguinte afirmação : "Por eu ver as coisas desse modo, sinto imensurável alegria apesar de ser agora um exilado" (The Major Writings of Nishiren Daishonin, vol. I) Nitiren Daishonin escreveu essa carta na Ilha de Sado, sob a pior provação possível e, contudo, exprimia imensurável alegria por causa da maneira como via as coisas. Isto me inspirou a examinar as escrituras de Nitiren Daishonin de uma nova perspectiva. Como ele via o mundo, o eu e o futuro ? Como ele explicava o mundo aos seus seguidores ? Com respeito ao mundo, seria bom observar que as seitas do budismo predominantes naquela época mantinham uma visão essencialmente negativa do mundo. Em primeiro lugar, era universalmente aceito por todos os budistas que os Últimos Dias da Lei já haviam se iniciado. Muitos eruditos budistas interpretavam isto como uma era de grandes sofrimentos, na qual a prática e os ensinos budistas tradicionais perderiam todo poder. Em segundo lugar, o mundo estava realmente tumultuado. Na introdução do "Rissho Ankoku Ron" ("A Pacificação da Terra Por Meio da Propagação do Verdadeiro Budismo") , Nitiren Daishonin declara : Contudo, ele optou por uma interpretação totalmente diferente desses fatos e descobriu grande júbilo e esperança neste mundo. Ele disse a um de seus discípulos : "Para aqueles que se preocupam com a próxima existência, é preferível ser um mortal comum nesses Últimos Dias da Lei do que reis poderosos nos Primeiros e Médios Dias da Lei. Por que as pessoas não acreditam nisso ? Do que ser um sacerdote chefe da seita Tendai, é melhor ser um leproso que recita Nam-myoho-rengue-kyo !" (The Major Writings of Nishiren Daishonin, vol. III). Isto porque ele esta convicto de que havia chegado o tempo para a revelação da prática budista que poderia conduzir todas as pessoas à iluminação. No Gosho "A Transformação do Carma Determinado", ele afirma : "A vida é o tesouro mais precioso de todos. Um dia a mais de vida vale mais do que dez milhões de ryo de ouro ... Um dia de vida vale mais do que todos os tesouros do universo. Nitiren Daishonin oferece-nos uma visão de mundo esperançosa, porém equilibrada. No Gosho "A Felicidade Neste Mundo", ele diz : "Jamais permita que os impasses da vida o perturbem. Afinal, ninguém pode escapar dos problemas, nem mesmo santos ou sábios ... Sofra o que tiver que sofrer. Desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento como a alegria como fator da vida, e continue orando o Nam-myoho-rengue-kyo, não obstante o que aconteça. Então, experimentará a infinita alegria da Lei. " Quando discuti esses pontos com o Dr. Miller, ele observou : Com base na visão de mundo de Nitiren Daishonin, os membros da SGI recebem uma mensagem bastante poderosa quando encontram uma crise pessoal. Nunca lhes é dito para simplesmente aceitar o carma e esperar uma existência melhor no próximo mundo. Eles sempre são incentivados a agüentar a luta e jamais desistir. A grande recompensa ou benefício da prática budista está em aprender a interpretar os problemas como oportunidades para o crescimento individual e não como uma evidência de quanto o mundo conturbado, ou de quanto somos inadequados como seres humanos. Quanto à visão do "eu" de Nitiren Daishonin, verificamos uma perspectiva que habilita o indivíduo a enfrentar todas as dificuldades com grande fé em sua própria capacidade inerente. Nitiren Daishonin encorajava constantemente seus discípulos a superar todos os sofrimentos por intermédio do desenvolvimento de suas próprias naturezas de Buda. Ele sempre identificou o eu como o lócus da força do Buda. No Gosho "Sobre Atingir o Estado de Buda" ele afirma : "Nunca deve procurar os ensinos de Sakyamuni ou dos Budas e bodhisattvas do universo fora de si mesmo. O domínio dos ensinos do Buda não o livrará dos sofrimentos mortais a menos que perceba a natureza de sua própria vida." Na "Carta de Ano Novo" , ele declara : "Quanto à questão de onde exatamente existem o inferno e o Buda, um sutra diz que o inferno se encontra debaixo da terra e um outro sutra diz que o Buda está no oeste. Entretanto, uma análise mais cuidadosa revela que ambos existem em nossos próprios corpos" A Dra. Gay Herrington é uma outra colega com quem tive muitas conversas sobre a interação do budismo e a psicologia. Ela é psicoterapeuta na Clínica de Prevenção da Depressão, um projeto-irmão do Programa de Prevenção da Depressão na Velhice. Com referência ao "domínio dos ensinos budistas" , ela disse : A mensagem subjacente da visão budista do "eu" é que o indivíduo nasce com a capacidade inerente para superar todas as dificuldades e alcançar um estado extraordinário de auto-realização. Além disso, não há distinção entre o eu e a realidade última. Mais propriamente, essa distinção é uma simples questão de percepção, apesar de profunda. Como Nitiren Daishonin expressa no Gosho "Sobre Atingir o Estado de Buda" : "Enquanto iludida, a pessoa é chamada de mortal comum, mas uma vez iluminada, é chamada de Buda" De uma cabana fria e rude no meio de um cemitério na Ilha de Sado, Nitiren Daishonin conseguia exprimir audaciosamente a sua esperança e convicção de que as gerações futuras abraçariam o seu budismo. A visão de futuro de Nitiren Daishonin não significava aspirar a algum outro paraíso mundano em busca de paz e segurança. Ensina que a vida neste mundo contém potencial ilimitado para a felicidade e realização. Tendo examinado essa visão do "eu", do mundo e do futuro, o que poderíamos concluir da pessoa que abraça tal filosofia de vida? A Dra. Herrington observou : Juntamente com isso, surgiu um senso diminuído de comunidade e o compromisso diminuído para com um propósito elevado. Ele diz : "A vida dedicada a nada maior do que si é realmente um vida pobre." A perda de fé nas grandes instituições da sociedade -- a família, a nação e religião -- combinada com uma ascendente ênfase no eu como a única fonte de significado resultou numa epidemia de depressão. Devoção demais ao eu, e devoção de menos ao bem comum nos deixou em desarmonia com nós mesmos e com a nossa sociedade. Tenho visto muitas pessoas idosas, quando se deparam com a aposentadoria, problemas de saúde ou a morte do cônjuge, não têm nenhuma perspectiva do verdadeiro valor da vida. Como nunca cultivaram sua vida interior, mesmo quando voltam-se para a religião, é simplesmente por obrigação. Elas fazem tudo o que se espera delas, mas nem assim encontram alguma felicidade. Muitas vezes, estão meramente tentando agradar a igreja. Em contraste, o budismo oferece uma abordagem sistemática do domínio sobre a vida interior e do crescimento construtivo. Isto capacita o indivíduo a suportar o sofrimento e o prepara para as perdas que inevitavelmente acompanharão os anos finais da vida." Na filosofia budista, acredito que podemos encontrar uma verdadeira esperança e otimismo, com base em nossa busca interior da verdade e em nosso sonho comum de harmonia entre todas as pessoas. Em seu discurso na ocasião da Palestra Anual em Memória de Gandhi em 11 de fevereiro de 1992, o Presidente Ikeda comentou o seguinte a respeito de Gandhi : Na tranqüilidade de suas palavras, sentimos uma autoconfiança invencível, o grito triunfante reservado somente às almas que alcançaram o verdadeiro autodomínio." Coloque esse artigo no seu site Para criar um link personalizado desse artigo no seu site, copie e cole o texto abaixo: Previsao: |
"Medito constantemente: Como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?" Sakyamuni |
"Sofra o que tiver que sofrer, desfrute o que tiver de ser desfrutado, considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida, e continue orando o NAM-MYOHO-RENGUE-KYO, não obstante o que aconteça." Nitiren Daishonin
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"A grandiosa Revolução Humana de uma única pessoa irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade" Sensei Daisaku Ikeda |