• Increase font size
  • Decrease font size
  • Default font size

Escolha sua palavra chave


A transformação cármica PDF Imprimir E-mail
Avaliação do Usuário: / 0
PiorMelhor 
Escrito por Revista Terceira Civilização 408   
A transformação cármica
O conceito de carma é certamente um dos pilares fundamentais de toda a doutrina budista. É tão importante para a compreensão de certos aspectos filosóficos que seu uso já extrapolou os próprios budistas, sendo normalmente empregado por não-budistas e até mesmo não-religiosos.

A idéia de carma (do sânscrito karma ou karmam, significando “ação”), ou de que tudo é regido por causas e efeitos, bem como a concepção de que a vida passa pelo infinito ciclo de nascimento e morte, na verdade são anteriores ao surgimento do budismo, fazendo parte de diversas filosofias originárias da Índia e região. Entretanto, a partir do advento do budismo, esses conceitos foram reinterpretados, fornecendo então uma nova visão de vida às pessoas.
 
Em sua acepção mais simples, o conceito de causa e efeito encontra similaridade em diversas áreas da cultura e do conhecimento humano, da física à biologia, da matemática às ciências humanas. Mesmo em relação a outras correntes religiosas, existe o consenso de que atitudes positivas ou negativas geram efeitos do mesmo quilate. Entretanto, a visão budista de causa e efeito tem como principal diferencial o fato de que o resultado dessas atitudes não será determinado pelo julgamento de uma entidade externa e superior, mas sim em decorrência de um processo natural à própria vida e ao Universo.

A doutrina budista afirma que, basicamente, as causas podem ser formadas por meio de pensamentos, palavras e ações. Essas causas permanecem então “depositadas” na vida do indivíduo, e esse repositório constitui-se assim no carma de determinada pessoa.

O Budismo Mahayana considera que as ações cármicas ficam depositadas na oitava de um total de nove consciências, ou seja, na consciência alaya (“repositório” ou “depósito”, em sânscrito).

As primeiras cinco consciências correspondem à percepção de cada um dos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.

A sexta consciência refere-se ao instinto, ou seja, o poder de integrar os cinco sentidos e reagir de acordo.

A sétima consciência, denominada mano ou manas, corresponde à capacidade exclusiva dos seres humanos de pensar e fazer julgamentos com base na razão.

E é na oitava consciência, alaya, que o resultado das experiências vividas é “arquivado” e que novas ações mentais são produzidas. Portanto, existência após existência, essa consciência carrega o resultado das causas efetuadas ao longo da vida e dá origem a outras. Esse carma não diminui nem desaparece por si só, e o seu efeito manifesta-se conforme a presença de estímulos apropriados.

A nona consciência, denominada amala (“imaculada”, em sânscrito), corresponde ao nível mais profundo da vida humana, livre da influência de qualquer causa realizada. Trata-se do “eu” essencial representado pelo estado de Buda. A partir de sua influência, criam-se as reais condições para transformar positivamente qualquer espécie de carma. Essa idéia também é expressa pela analogia com a flor de lótus, cujo desabrochar puro permanece imaculado em meio às impurezas do pântano lamacento e que deu origem ao mais importante tratado budista a respeito, o Sutra de Lótus.

“A flor de mahamandara no céu e a flor de cerejeira no mundo humano são notórias, mas o Buda não escolheu nenhuma delas para ser equiparada ao Sutra de Lótus. De todas as flores, ele selecionou a flor de lótus para simbolizar o Sutra de Lótus. Há uma razão para isso. Algumas plantas primeiro florescem e depois produzem frutos, ao passo que em outras os frutos aparecem antes das flores. Algumas geram somente uma flor, mas muitos frutos, outras dão frutos sem florirem. Desse modo, há várias espécies de plantas, mas o lótus é o único que produz flores e frutos simultaneamente. O benefício de todos os outros sutras são incertos, pois ensinam que a pessoa deve primeiro fazer boas causas e, só então, poderá tornar-se um buda em algum tempo a seguir. O Sutra de Lótus é completamente diferente. Uma mão que o segura imediatamente atinge a iluminação, e uma boca que o recita instantaneamente entra no estado de Buda, assim como a Lua é refletida na água no momento em que se eleva por detrás das montanhas do leste, ou como o som e seu eco surgem concomitantemente. É por isso que o sutra afirma: ‘Entre aqueles que ouvem esta Lei, não existe ninguém que não atingirá o estado de Buda’. Essa passagem indica que se houver cem ou mil pessoas que abracem este sutra, sem uma única exceção, todas as cem ou mil delas tornar-se-ão budas.” (“Wu-lung e I-lung”, As Escrituras de Nitiren Daishonin [END], vol. 4, pág. 295.)

Nitiren Daishonin relacionou o conceito da lei de causa e efeito ao termo myoho (lei mística) e incorporou-o a um mandala, o Gohonzon. No centro desse objeto de devoção, encontram-se as palavras Nam-myoho-rengue-kyo Nitiren, as quais possuem em comum a utilização do caractere ren, que significa “lótus”. Tal fato não só enfatiza a supremacia do Sutra de Lótus em relação aos demais ensinos de Sakyamuni, como também remete a um dos principais conceitos do sistema filosófico budista referente à lei de causa e efeito, cuja simultaneidade é simbolizada pela germinação das flores e dos frutos do lótus.

A Lei Mística (myoho) corresponde à realidade fundamental de todos os fenômenos que transcende as três existências da vida — passado, presente e futuro. A lei de causa e efeito (rengue) é a maneira pela qual essa verdade manifesta-se em nossa realidade. Assim sendo, a compreensão da natureza da lei da causalidade e seus desdobramentos é a chave para a transformação fundamental da vida.

Diferentemente da conotação que a palavra “lei” adquire em outros campos da sociedade, no contexto dos ensinos budistas ela equivale ao termo sânscrito dharma, indicativo tanto dos ensinos do Buda como da verdade para a qual ele despertou em relação à natureza do Universo. Desse fato extrai-se a importante constatação de que essa “lei” não foi criada por outras pessoas (leis sociais) nem por um ente superior (leis divinas), cabendo a cada indivíduo desenvolver a percepção necessária da realidade dos fenômenos a fim de direcionar-se para a felicidade. Essa percepção é exercitada por meio da prática budista, que visa à manifestação dessa lei no plano individual e interior da vida como base também para a reforma do ambiente externo.
Coloque esse artigo no seu site

Para criar um link personalizado desse artigo no seu site, copie e cole o texto abaixo:



Previsao:

A transformação cármica
Qua, 16 de setembro de 2009



 

Adicione seu comentário

Seu Nome:
Seu e-mail:
Assunto:
Comentário:

Tradução


"Medito constantemente: Como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?"

Sakyamuni

"Sofra o que tiver que sofrer, desfrute o que tiver de ser desfrutado, considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida, e continue orando o NAM-MYOHO-RENGUE-KYO, não obstante o que aconteça."

Nitiren Daishonin

 

"A grandiosa Revolução Humana de uma única pessoa irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade"

Sensei Daisaku Ikeda